
Pra quem não é muito familiar, o Camboja é um país sediado no sudeste asiático, entre a Tailândia, Laos e Vietnã. Possui uma população de 13 milhões de habitantes e sua área é relativamente pequena, equivalente à do estado do Paraná no Brasil. Sua principal economia é baseada no cultivo do arroz, na produção de artigos em seda e também no turismo.
O Camboja possui uma história riquíssima, mas não muito conhecida por nós ocidentais. Viveu seu apogeu entre os séculos X e XV, quando foi considerado o maior império do mundo, com uma capital (Angkor) capaz de comportar até 1,5 milhões de habitantes! Era a Nova York dos dias atuais! Nesta época sua área era bem mais vasta, comportando quase toda a península da Indochina.
Depois das seguidas derrotas para os Vietnamitas e Tailandeses, o império perdeu sua força e também, sua grandiosidade. Transferiu sua capital para o sul, onde hoje é Phnom Penh e entrou em um período decadente, mostrando-se um país sem muitos atrativos e sem muita divulgação internacional. Sua identidade foi esmagada pelos inimigos e hoje muito dos seus valores culturais são provenientes da cultura Tai e Vietnamita.
Depois de quase 500 anos, voltou à tona por dois motivos: O primeiro devido ao descobrimento das ruínas do Império Khmer, que por sorte, teve sua capital Angkor intacta em meio à densa floresta tropical. E em segundo lugar, pelo genocídio do ditador Pol Pot, membro do sangrento partido comunista Khmer Vermelho que dizimou metade da população no fim dos anos 70, alegando purificação da identidade Cambojana. O alvo, além das minorias sociais (muçulmanos, homossexuais...) eram os indivíduos intelectuais, abastados e que tiveram contato com culturas ocidentais. Assim, advogados, médicos, professores, engenheiros e indíviduos com tantas outras profissões foram mortos à sangue-frio, na tentativa do governo resgatar uma identidade simples e ter uma economia baseada apenas na agricultura (O filme Gritos do Silêncio, vencedor de 3 Oscars, mostra a barbárie por completo e é imperdível!).
Com isso, a maioria da população atual é formada por pessoas de origem humilde, que sofreram violações da sua própria identidade, cultura e valores. Há um abismo entre a população cambojana e os turistas que lá visitam, principalmente os ocidentais. Os valores e a visão sob diversos aspectos da vida são completamente diferentes e com isso, aprende-se bastante. Quem vai ao Camboja certamente volta diferente, pois é impossível ficar alheio à alegria simples com que estas pessoas conduzem a vida, mesmo tendo passado por tanto sofrimento. Muito provavelmente, isso também é favorecido pelo budismo, religião de 95% da população - À propósito, devido ao budismo, milhares de monges vivem no Camboja e é possível vê-los quase que diariamente. Sem dúvida, uma cena interessante para uma bela fotografia!
Em Siem Reap, a segunda maior cidade do país (que na verdade é uma grande fazenda) e a primeira em número de turistas, os cambojanos - juntamente com as ruínas de Angkor - são a principal atração do lugar. São envolventes, muito alegres e adoram conversar. Além disso, pasmem: a maioria fala bem o inglês! A todo instante crianças entre 5 a 10 anos aproximam-se dos turistas para tentar vender algo e mostrar que conhecem sobre o país de cada um. Crianças cambojanas que conhecem mais do Brasil do que muitos brasileiros e falam um inglês com um perfeito sotaque britânico. Imagino que foi em uma destas situações que a atriz Angelina Jolie acabou por adotar o cambojano Maddox como seu filho... Não deve ter dado mesmo para resistir!
Os próximos posts são um mergulho nos mistérios do Camboja. Deliciem-se!
Mineira de Belo Horizonte, é uma apaixonada por viagens e fotografia! Já visitou mais de 60 países, mas ainda não chegou nem na metade da sua lista de desejos. É Graduada em Turismo, Mestre em Gestão Estratégica e profissional de uma grande multinacional brasileira. 


2 comentários:
Certamente uma viagem incrível para nós ocidentais.
E as fotos, como sempre, um espetáculo à parte.
Bjoks
Oi Fê, acho que estimulei vc a escrever novamente. Que país interessante. Estive em Bangkok que é ali do lado e não pude dar um pulo até ao Cambodja por falta de tempo. Mas, na proxima ida ao Oriente vou colocar na minha rota.
Adorei!!!!
Bj
Claudia
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