Ouro Preto - O maior conjunto barroco do mundo!

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Uma das mais encantadoras cidades históricas de Minas Gerais, Ouro Preto é dona do maior acervo do barroco brasileiro. Sua arquitetura colonial magnífica é tombada como patrimônio histórico mundial pela UNESCO e é responsável por atrair turistas dos quatro cantos do planeta. Somado a isso, a saborosa gastronomia e a conhecida hospitalidade mineira fazem de Ouro Preto um dos destinos mais procurados do país.



Descoberta em meados do século XVII por portugueses à procura do ouro, a antiga Vila Rica já foi a cidade mais habitada do Brasil. Foi nesta época que recebeu alto investimento para sua construção, onde não foi poupado esforços para fazer o que havia de mais bonito. Igrejas minuciosamente talhadas e banhadas em ouro, monumentos imponentes, casarões gigantes e amplas alamedas.




 Uma visita a cidade deve começar pela Praça Tiradentes, outrora palco das confabulações dos inconfidentes, hoje, sede de grandes eventos e shows variados. Ao seu redor, o genuíno casario barroco setecentista completa o cenário com o Museu da Inconfidência, o principal marco de Ouro Preto. Ali estão expostas cartas, roupas e objetos variados dos famosos personagens do século XVIII, como Marília de Dirceu, Tomás Gonzaga e Tiradentes. Seu acervo ainda conta com mobiliário da época e peças extraordinárias dos mestres Aleijadinho e Athaíde.
Estes gênios escultores foram os responsáveis por transformar as igrejas de Ouro Preto em grandiosas obras de arte. São, em sua maioria, talhadas em madeira, banhadas a ouro e ricas em afrescos. Imperdível visitar as igrejas de São Francisco de Assis, Nossa Senhora do Rosário, Pilar e Carmo.


No campo arquitetônico ainda vale visitar o Largo do Rosário, que é a exata tradução da engenhosidade do barroco mineiro, onde formas se sobrepõem, possibilitando a simbiose perfeita entre o relevo íngreme e a diversidade dos sobrados. Não tão distante dali, está a casa onde viveu Tomás Gonzaga e o Museu Casa dos Contos, um belo exemplar do casario que possui até senzala.



Depois de percorrer a cidade, a deliciosa gastronomia mineira convida para um banquete no aconchegante restaurante Chafariz. No cardápio, pratos tradicionais como frango ao molho pardo, feijão tropeiro e ora-pro-nobis. Deleite-se na hora da sobremesa: pudim de leite, quindim, ambrosia, goiabada com queijo. Outro estabelecimento com renomada culinária é a Casa dos Contos e também a Casa do Ouvidor.

Para a hospedagem, a dica é ficar bem no centro antigo, como no prestigiado Solar do Rosário ou na Pousada do Mondego. Ambos bem localizados em meio às vielas da antiga Vila Rica e bem próximo aos principais pontos turísticos.

Ouro Preto é um lugar interessante de ser visto durante todo o ano. No verão a cidade permanece com o clima agradável de montanha. Em Julho é bastante frio e acontece o Festival de Inverno, cheio de atrações culturais. Para os mais animados, o carnaval de rua e a festa de 12 de Outubro enchem as ruas de foliões até o raiar do dia. As festas religiosas dão um colorido a mais na cidade, com tapetes de flores por toda a extensão da tradicional via de procissão. As mais procuradas são a Semana Santa e o Corpus Christi.


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"...Uma cidade setecentista em pleno século XXI. Anacronismo à parte, a antiga Vila Rica foi palco da vaidade, da competição e da genialidade humana. Sentimentos muito atuais hoje, mas que naquela época eram traduzidos com estilo, com orgulho. A arte era resultado de anos, da paciência e da entrega absoluta de seus mestres.

Uma fabulosa e linda cidade encravada num vale profundo das montanhas mineiras... Ouro Preto ressurge como uma visão, uma miragem em meio à densa névoa matutina. A sensação para os visitantes de primeira viagem é empolgante. De repente parece que a viagem no tempo é uma realidade. Uma romaria de vivos se mistura a uma romaria de mortos. Figuras históricas e anônimas se confundem aos contemporâneos.

Os médiuns dificilmente conseguem visitar Ouro Preto. Talvez sintam a forte carga de energia humana que paira sobre suas igrejas e casas, afinal, não é preciso ser sensível para perceber que não se entra sozinho nesta cidade mineira. Há sempre algo, um vulto que acompanha e sussurra palavras contundentes de amor ou de ódio. Ouro Preto é uma fascinante maquete do que a humanidade produziu de melhor e pior. Aqui a história pesa em nossos ombros...

Ouro Preto está acima do bem e do mal. Quem não pensa assim não aproveita bem a cidade. É extremamente humana, por isso mesmo corajosa e cruel. A crueldade está escrita nas paredes entumecidas pela queima de óleo de baleia das antigas minas de ouro. Os escravos eram forçados a entrar em pequenas aberturas e lá ficavam praticamente o dia inteiro, respirando a fumaça das tochas, o suor exausto e o sufocante exalar de urina e fezes. Já a coragem repousa resplandecente no Panteão da Liberdade, onde descansam os restos daqueles que um dia sonharam a independência de Minas Gerais e também, do Brasil.

Em Ouro Preto não há lugar para maniqueísmos. Devemos apenas nos remeter a uma época sem leis; uma sopa caótica de interesses que tomou forma e deu origem à primeira sociedade com características modernas do Brasil. Se nosso país nasceu em algum ponto do litoral, sua concepção como nação se deu em Minas. E sua mãe foi Vila Rica e seu alimento o ouro.
Por seu valor, Ouro Preto foi decretada Cidade Monumento Nacional em 1933. Os olhares e o reconhecimento do mundo viriam em 1980, quando a Unesco a declarou Patrimônio Cultural da Humanidade. Seu legado é maior que as fronteiras, sua essência é a própria essência do homem.

De nada adianta todo o ouro do mundo se não é possível ostentá-lo e não foi diferente na Vila Rica. A fé foi uma das válvulas de escape para o poder acumulado por setores da emergente sociedade mineira do século XVIII. Poderosas e seculares ordens religiosas retratavam a segmentação da população. A ordem dos poderosos, dos negros, dos pardos... Cada qual tinha por finalidade construir a mais bela igreja, demonstrar sua força e influência. Deu-se início a um tipo de competição não declarada, cujo combustível era o metal amarelo, que se esparramou por altares, imagens e demais instrumentos litúrgicos. Minas vivia uma espécie de Renascimento, onde figuravam mecenas, desabrochavam as artes e nasciam gênios.

No vaivém dos telhados, na espremida confusão do casario geminado, nos palácios, nas pontes e nos chafarizes... O barroco europeu aqui chegou e se adaptou. A geografia conferiu singularidade ao barroco mineiro. Olhando tudo o que foi construído dá para imaginar o barulho incessante das ferramentas, igrejas se elevando ao céu, quilômetros de túneis ocultando conchavos; é isso que fascina em Ouro Preto.

São muitas e deliciosas histórias. Mestres como Ataíde, Xavier de Brito, Servas e outros tantos circulando pelas ruas, quando não estavam enfurnados em templos, na labuta da arte. O mais conhecido foi Antônio Francisco Lisboa, eternizado como Aleijadinho, gênio pardo e acometido de terrível doença deformadora. Aleijadinho sintetiza a falência do conceito bem e mal. Foi o feio que produziu o belo, o monstro que produziu anjos... Ouro Preto é assim: fé interessada, inconfidentes heróis. Quem visita a cidade deve perceber que ela brinca com referenciais infantis, abusa e funde contrários.

Na efervescência cultural do séc. XVIII também têm espaço os poetas, a música e sempre ela, a política. O amor proibido entre Tomás Antônio Gonzaga e sua eterna Marília. Ele, nobre e inconfidente; ela, outrora próxima e agora proibida. Ambos apaixonados. É atribuída a ele a publicação anônima "Cartas Chilenas", onde ocultamente denunciava os desmandos do ex-governador Cunha Menezes, chamado "Fanfarrão Minésio". O mitológico Chico Rei, monarca na áfrica, escravo em Minas. Trabalhou nas minas, comprou sua liberdade e a de seus súditos. Mandou construir seu templo e morreu respeitado. Na Vila Rica o único valor era o ouro, não importava a quem pertencesse. Em Ouro Preto as paredes falam, cantam seus versos, sufocam a dor. Revelam mais que sua aparente arquitetura." 

Locais de Interesse:
Museu da Inconfidência : sua construção foi iniciada em 1785, com intuito de servir como Casa da Câmara e cadeia. Para a obra o governador de Minas, Luís da Cunha Menezes, usou sentenciados e escravos recapturados nos quilombos e convocou ainda um exército de pedreiros, carpinteiros e artistas. Reúne valiosa coleção de objetos e manuscritos referentes à Inconfidência, obras atribuídas a Aleijadinho, Xavier de Brito, Mestre Ataíde, Servas... além de indumentárias, mobiliário e variados objetos do séculos XVIII e XIX. Destacam-se o Panteão dos Inconfidentes (onde se encontram os restos mortais dos principais nomes do movimento), pedaços da forca em que morreu Tiradentes e a primeira edição do livro "Marília de Dirceu".

Largo do Rosário : um passeio por este recanto de Ouro Preto é a exata tradução da engenhosidade da arquitetura barroca. Formas se sobrepõem, possibilitando a simbiose perfeita entre o relevo íngreme e os sobrados geminados. As estruturas são sólidas e ao mesmo tempo leves. Paus, pedras e metal combinam-se de forma extraordinária.

Casa dos Contos : sua construção levou cinco anos (1782-1787), com o propósito de servir de residência para o administrador de impostos da capitania de Minas, João Rodrigues de Macedo. Mais tarde serviu para abrigar a Junta da Real Fazenda e a Intendência do Ouro, recebendo por isso a denominação de Casa dos Contos. Cláudio Manuel da Costa foi preso e encontrado enforcado em uma de suas celas. é uma das poucas casas ouro-pretanas em que ainda existe uma senzala. Pertence atualmente ao Ministério da Fazenda e guarda acervo que inclui mobiliário (séculos XVIII e XIX), documentos, cartas, rica biblioteca e curiosa coleção de moedas.

Igreja de São Francisco de Assis : a mais famosa de Ouro Preto, um dos exemplares mais magníficos do barroco mineiro. Sua construção foi iniciada em 1766. é considerada obra-prima de Aleijadinho, responsável pelo risco geral do prédio, portada, tribuna do altar-mor, altares laterais e capela-mor. São também suas as esculturas da portada e dos púlpitos. Mestre Ataíde conferiu excelência artística ao teto, representando a assunção de Nossa Senhora. A arquitetura desta igreja tem inspiração militar.

Matriz N. Sra. do Pilar : o projeto desta igreja, considerada uma das mais requintadas do barroco, é atribuído a Pedro Gomes Chaves. A talha da capela-mor foi executada por Francisco Xavier de Brito. O acervo ainda inclui magnífica talha coberta de ouro e mais de quatrocentos anjos esculpidos. Foram empregados em sua ornamentação cerca de 400 quilos de ouro e 400 de prata. Em anexo, na sacristia, está o Museu de Arte Sacra do Pilar.

N. Sra. do Rosário : é um raro exemplar do barroco mineiro, com sua fachada circular e por isso singular. Sua construção, iniciada em 1785, substituiu primitiva capela. Em contraste com o aspecto externo o interior é bem singelo, com evocação de santos negros. A tradição aponta a escultura de Santa Helena como sendo de Aleijadinho e as imagens de Santo Antônio e São Benedito atribuídas a seu irmão, padre Félix.

Igreja N. Sra. do Carmo : o projeto é de Manoel Francisco Lisboa, pai de Aleijadinho, e sua construção foi entre 1766 e 1772. Era frequentada pela aristocracia de Vila Rica. Também participaram de sua ornamentação Aleijadinho, Manoel da Costa Ataíde, entre outros artistas de renome.

Igreja de São Francisco de Paula : foi a última igreja erguida no período colonial, com execução iniciada em 1804. A imagem do padroeiro, que hoje se encontra no Museu Aleijadinho, é atribuída ao mestre. De seu adro se tem uma bela vista da cidade.

Casa de Tomás Antônio Gonzaga : nomeado ouvidor (juiz) de Vila Rica, tomou posse em 1782. Em 1788 passou a residir nesta casa. Foi preso acusado de participação na Inconfidência Mineira. Condenado, passou 10 anos de exílio na áfrica. Famoso por ter escrito as liras de "Marília de Dirceu". Nelas relatava sua paixão por Maria Dorotéia Joaquina de Seixas, que chegou a ser sua noiva. O romance se tornou proibido devido ao envolvimento de Gonzaga com os inconfidentes. De uma das janelas de sua casa acenava escondido para sua musa. Também é atribuída a ele a publicação anônima "Cartas Chilenas", onde ocultamente denunciava os desmandos do ex-governador Cunha Menezes, chamado "Fanfarrão Minésio".




Com a escassez do ouro e a conseqüente mudança da capital para Belo Horizonte, Ouro Preto ficou estagnada e sem grandes avanços na economia. Se a recessão foi uma decepção aos olhos do século XIX, no seguinte foi vista como a salvação. Afinal, foi este o motivo que Ouro Preto pôde manter seu acervo histórico inigualável. 

7 comentários:

Mile disse...

Uau, mandou bem nas fotos.
Muita gente fala maravilhas do lugar...tb quero ir!

Renato Fera disse...

Opa, claro que eu lembro de você sim. Bom aqui na Latvia as coisas estão dando certo, aliás muito certo.
Tambem gostei da Russia como turista, mas como cidadão a coisa complica.
O esquema do SMS eu copiei do site da operadora e adaptei pro portugues.
Se algum dia vc e Maria Fernanda passarem por aqui, estarei aguardando para um city tour, hehehe ja sou quase um local.
Abraço

Anônimo disse...

vcs deveriam tambem falar sobre JAIR AFONSO INÀCIO ele ajudou a esculpir aquelas igrejas

Leticia disse...

Lindas igrejas barrocas: artes incriveis, riquezas, fé!

VAle a pena conhecer a história de Ouro preto pessoalmente!

Francisca disse...

acabei de chegar de ouro preto e mariana. o texto faz jus ao lugar! tudo é mágico, maravilhoso, porém os preços cobrados para se entrar em cada igreja são absurdos. os turistas já deixam tanto dinheiro para andar pela cidade. tem que se repensar isso.

Grieber disse...

Estava navegando pela net e de repente acabei por aqui...apreciando suas belas fotos. Sou artista plástico, já morei em Ouro Preto um dia, e suas fotos deram uma saudade danada de lá. Vão me inspirar a pintar algumas telas. Parabéns.
Abços.
grieber@hotmail.com

Igreja de N Sra Conceição de LAFAYETTE - MG -BR disse...

parabéns pelo blog.

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